Vivíamos numa era em que as práticas da escola baseavam-se em transmissão de conhecimento, numa perspectiva em que o professor era o detentor do saber e o aluno um mero receptor de conteúdos. Entretanto, com o passar do tempo a história da educação formal vem se modificando gradualmente, de acordo com as novas realidades e perspectiva da humanidade.
Atualmente, nota –se as novas tecnologias sendo utilizadas em larga escala no mercado do trabalho, excluindo aqueles que não as dominarem. Assim, a educação formal se defrontou com um novo desafio: incorporar as novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) para incluir seus alunos no mundo contemporâneo. As novas tecnologias podem se unir a novas formas de ensinar e de aprender, permitindo maior dinamismo no processo de construção do conhecimento.
Várias estratégias são utilizadas para tanto, como por exemplo, os blogs educativos, no qual exercem um papel relevante na interação pedagógica que deve existir no trinômio, conhecimento, professor e aluno. O blog pedagógico permite uma aprendizagem diferenciada onde professores de diversas modalidades de ensino tornam-se capacitados a serem coautores de atividades e assuntos, os quais podem ser abordados com os alunos ao mesmo tempo em que vão desenvolvendo o domínio da ferramenta.
Oliveira (2008) cita a possibilidade de desenvolver o papel do professor como mediador na produção de conhecimento, já que ele tem um papel ativo de instigar as discussões por meio de comentários, potencializando a interação entre a classe; incentivar a escrita colaborativa, a autoria, o pensamento crítico e a capacidade argumentativa; estimular o aprendizado extraclasse de forma lúdica; desenvolver a habilidade de pesquisar e selecionar informações. Cotes (2007) e Von Staa (2005) listam algumas vantagens e motivos para um professor criar um blog, dentre eles estão: aproxima alunos e professores; permite uma maior reflexão sobre o conteúdo e acerca de suas próprias colocações; é um exercício de alfabetização digital tanto para o próprio professor quanto para o aluno; amplia o horário da aula; permite o acompanhamento das atividades dos alunos por pais e a troca de experiências com colegas de profissão.
À luz do construtivismo, pode-se tentar compreender a aprendizagem cooperativa. Segundo (Campos et al. 2003, apud KASSIS, 2007, online),
No construtivismo, o conhecimento é (re)construído pelo indivíduo nas interações com o ambiente externo. O aluno é o sujeito ativo no processo de aprendizagem, por meio da experimentação, da pesquisa em grupo, do estímulo à dúvida e ao desenvolvimento do raciocínio. Os conceitos são formados no contato com o mundo e com outras pessoas. O professor assume o papel de provocador e estimulador de novas experiências e deve ser capaz de propor estratégias ou caminhos para buscar respostas.
Assim, professores e alunos tornam-se parceiros de aprendizagem, um interagindo com o outro, revendo e construindo juntos sua aprendizagem.
Moran (2007) enfatiza o uso do blog educacional afirmando que “quando focamos mais a aprendizagem dos alunos do que o ensino, a publicação da produção deles se torna fundamental”. Desta forma, essa ferramenta pode constituir-se num recurso de apoio à aprendizagem por ser um espaço de criação coletiva, que aproxima professores e alunos, sem contar que, com o uso das TICs (Tecnologia da informação e Comunicação), a escola cumpre o seu papel de preparar o aluno para os desafios impostos pela sociedade, não na intenção da continuidade, mas da transformação da realidade que ora se apresenta.
Nas palavras de Freire (1996), “ninguém ensina ninguém; tampouco ninguém aprende sozinho. Os homens aprendem em comunhão, mediatizados pelo mundo”, fica clara a importância e eficiência do blog, do ponto de vista da construção do conhecimento na relação aluno-pensamento.
